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Como preparar-se para uma gravidez

Como preparar-se para uma gravidez

Quando se pensa em constituir família e avançar para uma gravidez há vários fatores que se deve ter em atenção, principalmente se tem uma doença reumática. Marcar uma consulta no médico, a fim de avaliar o estado de saúde, o estilo de vida e os fatores de risco, são aspetos importantes que deve ter em atenção para que a gestação corrada melhor forma possível.  

“Ai meu Deus, estou grávida!!!” A notícia de uma gravidez é sempre algo que nos traz grandes emoções. Ou porque era um desejo de algum tempo, ou porque foi uma surpresa, ou mesmo pelo facto de sentir a responsabilidade de, a partir daquele momento, gerar uma nova vida.

Nos doentes reumáticos a gravidez deve ser sempre planeada. Quando acontece inesperadamente, pode ser particularmente arriscada em mulheres com doença reumática crónica ativa e que estejam medicadas com fármacos incompatíveis com a gravidez, e que podem colocar em risco a vida da mãe e a do bebé. O esclarecimento acerca dos métodos contracetivos mais adequados é fundamental para que, de forma informada e responsável, seja evitada uma gravidez não planeada.

Medidas contracetivas a saber

Independentemente da doença reumática de base, o método de barreira deve ser considerado estando disponíveis o preservativo masculino, o preservativo feminino e o diafragma. Apesar de não ser o método contracetivo mais eficaz, o preservativo masculino soma a vantagem de ser o único método que concomitantemente protege das doenças sexualmente transmissíveis.

No entanto, para assegurar uma contraceção eficaz, deve ser considerado conjuntamente com o preservativo um segundo método contracetivo, tal como: 

1. Contracetivo com progestagénio
Os métodos contracetivos que contêm apenas progestagénio são seguros nas mulheres com doenças reumáticas crónicas. Existem várias possibilidades de apresentação destes contracetivos, que conciliam segurança e eficácia com frequência da administração e a comodidade da toma: a pílula diária, o implante subcutâneo, com uma duração de três anos, e o dispositivo intrauterino, com cinco anos de duração.

2. Contracetivo combinado (estrogénio e progestagénio)
Os contracetivos orais combinados devem ser tomados com precaução em doentes com lúpus eritematoso sistémico (LES), com anticorpos antifosfolípidos positivos ou ainda na síndrome de anticorpos antifosfolípidos (SAF), já que podem contribuir para o aparecimento de eventos trombóticos. 

O anel vaginal e os adesivos transdérmicos também contêm estrogénio, pelo que também devem ser utilizados com muita precaução nas mulheres com LES/ SAF, uma vez que aumentam o risco de trombose. Este tipo de contracetivos pode ser uma boa opção para doentes com artrite idiopática juvenil, artrite reumatoide, espondilartrites, miosites ou outras doenças reumáticas.

3. Contraceção de emergência
 Deve ser sempre excecional. Todavia, em caso de necessidade de contraceção de emergência, o levonorgestrel oral pode ser utilizado, sendo considerado um método eficaz quando iniciado nas primeiras 72h após a relação sexual.

Medicamentos a evitar 

Alguns medicamentos utilizados nas doenças reumáticas devem ser substituídos quer no homem quer na mulher, antes desta engravidar. Por exemplo, o metotrexato e a leflunomida devem ser interrompidos pelo menos três meses antes da conceção e deve ser realizado o doseamento no sangue do metabolito ativo desta última, que deverá estar ausente. 

A anticoagulação oral com varfarina deve ser substituída por outro tipo de anticoagulação, nomeadamente pela administração subcutânea de um tipo de heparina. A salazopirina pode reduzir temporariamente a fertilidade no homem. Os anti-inflamatórios não esteroides também podem reduzir temporariamente a fertilidade e aumentar o risco de aborto espontâneo no início da gravidez.

Acima de tudo, saiba que os cuidados pré-natais são fundamentais para uma gravidez saudável. Por isso, aconselhe-se e planeie aquela que é a fase uma fase desafiante na vida de uma mulher.

Sabia que…

… As mulheres que fumam e tomam a pílula têm um risco acrescido de trombose. O risco é ainda consideravelmente maior em mulheres com determinadas doenças reumáticas como o LES /SAF. 

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