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Deixar de fumar: um passo para um futuro saudável

Deixar de fumar: um passo para um futuro saudável

Grande parte das doenças reumáticas são consequência da desregulação do sistema imunitário e de alguns tecidos/órgãos em particular. Entre as causas mais apontadas, está a herança genética, a poluição, as infeções, mas também o tabagismo.

Todos sabemos que o hábito de fumar prejudica a saúde. Há estudos que indicam que o tabagismo aumenta o risco de desenvolver doenças, principalmente cardíacas e
respiratórias.

Sabe-se ainda que os fumadores têm, em média, menos dez anos de vida do que os não fumadores, pois as substâncias presentes no tabaco afetam vários órgãos importantes, e tornam o organismo mais frágil e mais suscetível a uma série de doenças.

Segundo a Fundação Portuguesa de Cardiologia, o tabaco é responsável, por exemplo, por:

  • 25 a 30% da totalidade dos cancros — incluindo cancro do aparelho respiratório superior (lábio, língua, boca, faringe e laringe);
  • 80% dos casos de doença pulmonar crónica obstrutiva;
  • 75 a 80% dos casos de bronquite crónica;
  • 90% dos casos de cancro do pulmão;
  • 20% da mortalidade por doença coronária.

O tabagismo está também associado a muitas doenças reumáticas, como a artrite reumatoide, doença reumática crónica e inflamatória, caracterizada pela inflamação das articulações, e que pode conduzir à destruição das mesmas. As estimativas da Associação Nacional de Doentes com Artrite Reumatoide (ANDAR) apontam para que existam cerca de 40 mil pessoas em Portugal diagnosticadas com esta doença 

As toxinas presentes no fumo do cigarro desencadeiam a produção de anticorpos específicos presentes na artrite reumatoide, iniciando um processo inflamatório que pode ter consequências graves para as articulações e alguns órgãos. Deste modo, o tabaco pode desencadear a doença em indivíduos geneticamente predispostos.

O lupus eritematoso sistémico (LES), que é uma doença crónica imunomediada, que se caracteriza pela produção de anticorpos contra componentes do próprio organismo, causando lesões em diversos órgãos, também tem no tabagismo um fator de risco importante para o seu desencadeamento.

O fumo causa lesões nas células, expondo os seus constituintes nucleares, induzindo a formação de autoanticorpos. Estes, por sua vez, atacam as células normais do organismo. O tabaco também é um fator que pode agravar a doença, na medida em reduz a eficácia dos medicamentos usados no seu tratamento.

Também os ossos sofrem com a exposição ao tabaco, uma vez que este induz a reabsorção óssea (redução da massa óssea), e diminui a sua formação (reposição de osso novo), levando ao aumento do risco de osteoporose e de fraturas devido à fragilidade dos ossos.

Em relação à artrite psoriásica, doença pertencente à família das espondilartrites, o efeito nefasto do tabagismo faz-se notar no aumento da probabilidade de desenvolver a doença e na maior gravidade das suas manifestações

Em suma, o tabagismo tem consequências nefastas na saúde pública, já que é responsável pela diminuição da qualidade e duração de vida. Tem ainda a agravante de ser um fator de risco não apenas para o fumador, mas para todos aqueles que frequentemente estão expostos ao fumo, os chamados “fumadores passivos”. Por todas as razões, são muitos os motivos para ficar longe do cigarro! Prevenir as doenças reumáticas é mais um deles!

Sabia que…

… O consumo de tabaco na Europa é responsável por um milhão e 200 mil mortes anuais, número que se prevê que chegue aos dois milhões. Em Portugal, o consumo atinge cerca de 20 a 26% da população, com predomínio de três homens e meio para cada mulher, segundo dados da OMS.

… Um cigarro contém cerca de 4 mil substâncias com efeitos tóxicos e irritantes, 70 das quais referenciadas como cancerígenas.

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