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Espondilartrites não são dores de costas!

Espondilartrites não são dores de costas!

As espondilartrites são um grupo de doenças crónicas que provocam perda de mobilidade da coluna e que podem ser confundidas com uma dor de costas comum, o que leva muitas pessoas a não procurarem ajuda médica. Saiba mais sobre as suas manifestações e esteja atento.

As espondilartrites têm em comum um conjunto de características clínicas e genéticas. São doenças associadas a dor crónica, inflamação nas articulações, olho e intestino e alterações na pele, nomeadamente com a psoríase. Evoluem habitualmente para uma diminuição da mobilidade da coluna, com limitações dos movimentos habituais e dificuldade ou incapacidade para realizar tarefas do dia a dia. 

Estas doenças subdividem-se em: espondilartrite axial (quando afeta sobretudo a coluna vertebral e as articulações sacroilíacas), espondilartrite periférica (quando predomina o envolvimento de outras articulações, sobretudo dos membros inferiores) ou entesopática (quando as inserções dos ligamentos são a manifestação preponderante). 

Fazem parte deste grupo de doenças: a espondilite anquilosante, a artrite psoriática , a artrite associada à doença inflamatória do intestino (doença de Crohn ou Colite Ulcerosa) e a artrite reativa, entre outras. 

A causa das espondilartrites não é conhecida. Pensa-se que resulte de uma interação entre fatores genéticos e ambientais. A presença de um marcador genético – o alelo HLA B27 – pode ser identificada em cerca de 90% dos doentes com espondilite anquilosante. Muitos indivíduos saudáveis são portadores deste alelo (cerca de 8% nos indivíduos de raça branca), mas apenas uma minoria virá a apresentar doença, pelo que a sua presença não é suficiente para o diagnóstico.

Como se manifestam?

No caso da espondilite anquilosante as manifestações podem ser várias:  dor na coluna lombar que surge durante o repouso, mas que melhora com os movimentos e geralmente apresenta boa resposta à toma de anti-inflamatórios (contudo, com o tempo, a dor e a rigidez podem atingir também a coluna dorsal e cervical); “prisão” dos movimentos ao acordar ou após períodos de repouso, com duração geralmente superior a 30 minutos;  inflamação das enteses (locais de inserção dos ligamentos e tendões nos ossos). Neste último caso, as mais comuns são a do tendão de Aquiles e as da fáscia plantar (membrana que envolve os músculos da planta dos pés). 

Podem ocorrer outras manifestações como olho vermelho e doloroso, geralmente unilateral, com visão turva; psoríase ou inflamação a nível intestinal.

Na artrite psoriática, o envolvimento das articulações periféricas, como as mãos, os pés e os joelhos, é mais comum, embora a inflamação do esqueleto axial (coluna vertebral e bacia) também possa ocorrer. Surge habitualmente em doentes com psoríase. Mais raramente pode manifestar-se antes do aparecimento de psoríase ou concomitantemente. 

Esta patologia causa “inchaço” nas articulações, bem como nos tecidos circundantes, em particular tendões e ligamentos. Na artrite psoriática pode haver vermelhidão nos dedos dos pés e das mãos parecendo uma “salsicha”. Pode também ocorrer tendinite (inflamação dos tendões) e entesite (inflamação nos locais onde os tendões se ligam aos ossos). Os exemplos mais comuns são a tendinite Aquiliana (porção posterior do calcanhar) e a fasceíte plantar (inflamação na região inferior do calcanhar).

As dores nas costas que surgem por inflamação das articulações da coluna caracterizam-se por serem piores à noite e de manhã, com uma rigidez (sensação de limitação do movimento) que vai diminuindo gradualmente ao longo do dia. O envolvimento das articulações periféricas pode ser monoarticular (apenas uma articulação) ou várias, sendo a forma de início mais comum a oligoarticular (envolvendo menos de 5 articulações), em particular acomentimento dos joelhos e tornozelos, mas também das pequenas articulações das mãos e pés, de forma assimétrica. 

Por fim, a artrite reativa, é definida como uma artrite – inflamação das articulações – que ocorre durante dias ou semanas após uma infeção bacteriana, sobretudo gastrointestinal ou genito-urinária. É uma doença pouco comum que tipicamente ocorre em jovens adultos, afetando do mesmo modo homens e mulheres.

No caso das infeções urogenitais, os sintomas mais comuns são a dor pélvica, o ardor ao urinar e um corrimento vaginal ou peniano tipo pus ou aquoso.  A diarreia é a manifestação mais característica das infeções gastrointestinais que podem causar artrite reativa.

Os sintomas de artrite são a dor e o “inchaço” das articulações. Normalmente as queixas envolvem um pequeno número de articulações (3 ou menos), sobretudo joelhos, tornozelos ou articulações do pé, embora as extremidades superiores, coluna vertebral e articulações sacroilíacas também possam ser afetadas.

Alguns doentes podem apresentar entesite (inflamação do local de inserção de ligamentos e tendões no osso) que se manifesta por dor e inchaço na face posterior do calcanhar (tendão de Aquiles) ou planta dos pés (fáscia plantar).

O envolvimento extra-articular na artrite reativa associa-se com várias manifestações que podem estar presentes quer na fase aguda da doença quer na crónica: conjuntivite, úlceras orais ou genitais, febre, mal-estar geral, dor de cabeça, perda de peso e lesões cutâneas (por exemplo na palma das mãos e planta dos pés).

Lembre-se que não é possível prevenir o surgimento de uma espondilartrite, pelo que o diagnóstico precoce é muito importante. Caso apresente algumas das queixas/sintomas explicados anteriormente, deverá consultar o seu médico de família para que este o possa enviar a uma consulta de Reumatologia no hospital da sua área de residência.  

Sabia que…

… A natação é o exercício mais adequado para quem sofre de espondilartrites, melhorando a  capacidade respiratória, o fortalecimento muscular e a resistência. Devem ser evitados desportos de contacto ou colisão física por risco de lesão óssea ou articular.

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