TOPO
Gota: um risco quando tem excesso de ácido úrico no sangue

Gota: um risco quando tem excesso de ácido úrico no sangue

A gota úrica, habitualmente conhecida apenas como gota, é uma doença causada por uma resposta inflamatória a cristais de monourato de sódio, que ocorre em pessoas com níveis elevados de ácido úrico. Saiba tudo sobre esta patologia e previna-se!

A gota ocorre quando o ácido úrico em excesso se acumula no organismo, formando cristais que se depositam nas articulações, rins e outros tecidos do organismo. Níveis elevados de ácido úrico podem dever-se a uma produção excessiva ou à incapacidade dos rins removerem esse mesmo ácido úrico.

A gota desenvolve-se habitualmente quando os níveis de ácido úrico no sangue se encontram cronicamente acima de 6,8 mg/dL (hiperuricemia, o principal fator de risco para a gota) e perante condições locais que o favoreçam (como o grau de hidratação, pH e temperatura cutânea).

Existem formas agudas e crónicas. As formas agudas surgem como crises súbitas e autolimitadas de artrite (tumefação, rubor, dor e calor de uma articulação), enquanto as formas crónicas resultam na deposição de agregados de cristais (tofos gotosos) dentro e em torno das articulações, com progressiva destruição articular.

Para além das manifestações articulares, a gota úrica pode apresentar manifestações renais (cálculos renais e insuficiência renal) e metabólicas (hipertensão arterial, elevação dos triglicéridos).

É a artrite microcristalina mais frequente. Afeta principalmente homens (dois a sete por cada mulher afetada) a partir dos 40 anos e mulheres acima dos 60 anos

Mas quais são as causas desta doença e qual o tratamento adequado?

Alguns alimentos e medicamentos tendem a aumentar os níveis de ácido úrico e podem causar crises de gota: mariscos, carnes vermelhas, álcool, bebidas açucaradas, aspirina, alguns diuréticos, imunossupressores. Confira os alimentos permitidos e os proibidos neste artigo.

Em ambos os sexos, a obesidade, a hipertensão arterial, a hipertrigliceridémia e a insuficiência renal também aumentam o risco de aparecimento de gota.

Geralmente, a identificação dos cristais no líquido sinovial (líquido presente na articulação) ou num tofo gotoso através de microscopia de luz polarizada permitem o diagnóstico.

As análises sanguíneas mostram ainda a elevação dos parâmetros inflamatórios. A radiografia não é útil na crise aguda, mas permite identificar características típicas, em doentes com doença evoluída (lesões em “saca-bocado”). Já a ecografia permite identificar os cristais que se depositam na superfície da cartilagem (sinal do “duplo -contorno”).

Na crise aguda, o doente deve deixar a articulação em repouso e aplicar gelo o mais cedo possível. O seu médico poderá prescrever-lhe colchicina, sendo espectável que sinta alívio dos sintomas nas primeiras 48h. Como alternativas poderá ser prescrito anti-inflamatório, corticoide oral e/ou infiltração intra-articular com corticoide. Como tratamento crónico, os agentes que diminuem os níveis de ácido úrico são fundamentais, nomeadamente o alopurinol ou o febuxostate. O seu médico irá prescreve-los de acordo com a sua situação clínica em particular. A administração destes fármacos nunca deve ser iniciada nem  interrompida durante uma crise.

Sabia que…

… A prevalência atual da gota é de cerca de 14 casos, por mil, nos homens e de 6 casos, por mil, nas mulheres. Em Portugal estima-se uma prevalência de 1,6%.

… Nem todos os doentes com hiperuricemia irão desenvolver gota. Parece que a gota se desenvolve em menos de uma, em cada quatro pessoas com hiperuricemia, em qualquer momento da vida.

Inserir Comentário