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Quando a depressão bate à porta…

Quando a depressão bate à porta…

As doenças reumáticas afetam a vida a vários níveis, pelo que também a depressão é bastante frequente nestes casos.É essencial que não se ignorem os sintomas iniciais, pois os tratamentos atuais permitem reduzir o prognóstico de incapacidade associado a este tipo de doença e logo, o impacto nos indivíduos, nas suas famílias e na sociedade.a

As patologias reumáticas são, na sua maioria, crónicas. A fadiga, a sensação de cansaço extremo e a falta de energia são sintomas muito frequentes em quem sofre de doença reumática. Mas a depressão também pode surgir. 

Para além dos sintomas, a progressão da doença e, por vezes, os efeitos secundários da medicação têm um enorme impacto na vida das pessoas. Muitas vezes, a capacidade de trabalho dos doentes é afetada, principalmente nas fases de crise, altura em que os doentes sentem necessidade de procurar cuidados de saúde – consultas, tratamentos, exames complementares de diagnóstico.

Apesar de ser um direito constitucional e do Código do Trabalho contemplar algumas medidas para os trabalhadores com deficiência ou doenças crónicas, muitas pessoas com doenças reumáticas debatem-se diariamente com o dilema entre a determinação em manter a sua produtividade e a falta de apoios para a sua condição de saúde.

Só no nosso país, as doenças reumáticas são responsáveis por 43% do absentismo laboral e por 35 a 41% das reformas antecipadas.

Por isso, é um desafio enorme viver e conviver com as doenças reumáticas diariamente. 

Sinais de alarme

A depressão pode surgir associada a pensamentos negativos, perda de interesse pelas atividades de que se gosta, ansiedade, incapacidade de superar as emoções negativas e procura de isolamento no local de trabalho. Para além dos sinais emocionais, podem também surgir consequências físicas como mal-estar, dores de cabeça, dores de costas ou dores abdominais, perda de apetite, fadiga, alterações e distúrbios do sono (insónia ou sonolência) e dificuldade de concentração.

No caso das doenças reumáticas, os efeitos adversos sobre trabalho e vida social estão relacionados com a gravidade da doença e o tempo de evolução e aparecem com alguma frequência. Algumas pessoas têm uma mobilidade condicionada e dificuldades com atividades da vida diária. A incapacidade de trabalho pode ocorrer precocemente no curso da doença, especialmente em pessoas com ocupações que impliquem actividades manuais.

Podem também ocorrer complicações que necessitem de apoio da Ortopedia ou Neurocirurgia: síndrome do túnel do carpo (adormecimento e perda de força nas mãos), rotura de tendões (particularmente os extensores dos dedos ou polegar), deformidades articulares com comprometimento funcional ou mielopatia cervical (geralmente em artrite reumatoide grave e de longa data).

A depressão é um problema que pode afetar qualquer pessoa, idade, profissão ou condição social. As causas podem ser variadas, mas a ansiedade e o stress causados pelo trabalho são muitas vezes razões que levam a este diagnóstico. Identificar os sinais de alerta é muito importante para procurar ajuda médica atempadamente e iniciar o tratamento.

Sabia que

… Mais de metade dos doentes com artrite reumatoide que participaram num estudo, realizado por especialistas do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental EPE – Hospital de Egas Moniz e do Hospital Ortopédico de Sant’Ana, sobre os impactos do confinamento, afirmaram ter desenvolvido ou agravado os sintomas de depressão e mais de 40% referiu agravamento das dores articulares. 

… De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a depressão é a primeira causa de incapacidade no trabalho, afetando a produtividade e originando absentismo recorrente. 

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